O silêncio que protege o agressor
Ensinamento para tempos difíceis · 2 Samuel 13:19–22
19Tamar colocou cinzas sobre a cabeça, e rasgou a túnica de várias cores que usava; e ela colocou a mão sobre a cabeça e foi embora, chorando em alta voz pelo caminho. 20Absalão, seu irmão, lhe disse: “Amnom, o seu irmão, esteve com você? Mas agora fique calada, minha irmã. Ele é o seu irmão. Não leve essa coisa tão a peito.” Assim Tamar permaneceu desolada na casa do seu irmão Absalão. 21Mas quando o rei Davi ouviu sobre todas essas coisas, ele ficou muito irado. 22Absalão não falou com Amnom nem bem nem mal; pois Absalão odiava Amnom, porque ele havia forçado a sua irmã Tamar.
Contexto
Amnom, filho do rei Davi, cometeu violência sexual contra a meia-irmã Tamar, embora ela tivesse pedido claramente que ele não o fizesse (v. 12-14). Depois, ele a expulsou. Estes versículos mostram o que acontece em seguida dentro da família real: a dor pública de Tamar, a reação do irmão Absalão e a ira do rei Davi, que não se transforma em nenhuma providência.
O que a Bíblia ensina
Tamar não se cala. Rasga a roupa, põe cinzas na cabeça e chora em alta voz pelo caminho. A Bíblia registra o seu clamor e não o trata como exagero. Mas a resposta da família é pedir silêncio: “agora fique calada, minha irmã. Ele é o seu irmão.” Essa frase ainda se repete em muitas casas quando se pede que a vítima proteja a reputação de quem a agrediu.
Davi ficou muito irado, mas o texto não registra nenhuma providência. A raiva sem ação deixou a filha desolada e abriu caminho para mais violência (v. 28-29). A lição é dura: nenhum argumento de família, de fé ou de bom nome justifica esconder abuso. A Escritura conta essa história para expor o mal, não para aprová-lo.
Violência doméstica inclui agressão física, sexual, psicológica, moral e patrimonial, contra mulheres, crianças, idosos e também homens. Nenhum versículo sobre submissão, disciplina ou perdão obriga alguém a permanecer em situação de abuso. Perdoar não é voltar para o perigo. Família e igreja devem acreditar na vítima, protegê-la e acionar a lei. O Deus da Bíblia considera precioso o sangue dos oprimidos (Salmos 72:14).
Na prática
Salvem hoje no celular os números 180, 100 e 190, e combinem em casa que qualquer pessoa pode contar uma violência sem ser desacreditada.
Para conversar
Na nossa família, alguém se sentiria seguro para contar que está sofrendo algum tipo de violência? O que precisaria mudar?
Oração
Senhor, tu vês toda violência escondida dentro das casas. Protege quem está em perigo agora, dá coragem para pedir ajuda e sabedoria a quem precisa acolher. Livra-nos do silêncio que protege o agressor. Faz das nossas casas lugares seguros. Amém.