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Devocional

O Reino é presente do Pai

Devocional de 3 de novembro · Lucas 12:32 · 12 min de leitura

22Ele disse aos seus discípulos: “Portanto, eu lhes digo: não andem ansiosos pela sua vida, pelo que irão comer, nem pelo seu corpo, pelo que irão vestir. 23A vida é mais do que a comida, e o corpo é mais do que a roupa. 24Considerem os corvos: eles não semeiam, não colhem, não têm despensa nem celeiro, e Deus os alimenta. Quanto mais vocês valem do que as aves! 25Qual de vocês, por estar ansioso, pode acrescentar um côvado à sua estatura? 26Se, então, vocês não são capazes de fazer nem as menores coisas, por que estão ansiosos com o resto? 27Considerem os lírios, como eles crescem. Eles não trabalham, nem fiam; contudo, eu lhes digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. 28Mas, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais ele vestirá vocês, homens de pequena fé? 29“Não busquem o que irão comer ou o que irão beber; nem fiquem ansiosos. 30Pois as nações do mundo buscam todas essas coisas, mas o Pai de vocês sabe que vocês precisam dessas coisas. 31Busquem, antes, o Reino de Deus, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. 32“Não tenham medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do Pai de vocês dar-lhes o Reino. 33Vendam o que têm e deem esmolas aos necessitados. Façam para vocês bolsas que não envelhecem, um tesouro nos céus que não falha, onde nenhum ladrão se aproxima e nenhuma traça destrói. 34Pois onde estiver o seu tesouro, ali também estará o seu coração.
Lucas 12:22–34 · Bíblia Livre

Contexto

Lucas 12 acontece durante a longa viagem de Jesus para Jerusalém, que Lucas narra entre os capítulos 9 e 19. Uma multidão de muitos milhares se aperta ao redor dele (v. 1). No meio da multidão, um homem pede que Jesus mande o irmão dividir a herança (v. 13). Jesus recusa ser juiz da partilha e alerta contra a avareza, porque a vida de alguém não consiste na abundância dos bens que possui.

Em seguida, ele conta a parábola do rico que derrubou os celeiros para construir maiores e disse à própria alma que descansasse (v. 16-21). Naquela mesma noite, a vida lhe foi pedida. Só então Jesus se volta aos discípulos e fala de ansiedade, corvos e lírios (v. 22-31). O versículo 32 vem nesse ponto: depois de mostrar um homem que acumulava por medo do futuro, Jesus mostra um Pai que dá.

O que o texto diz

Reflexão

O rico da parábola tinha muito e vivia com medo de perder. Os discípulos tinham pouco, e Jesus lhes diz para não terem medo. A diferença não estava na conta bancária, mas no que cada um considerava garantido. O rico achava que os celeiros garantiam o futuro. Jesus diz aos discípulos que o futuro deles está garantido por outra coisa: a vontade alegre do Pai de lhes dar o Reino.

Repare no carinho da expressão pequeno rebanho. Era um grupo pequeno, sem poder, sem dinheiro e cercado de ameaças; o mesmo capítulo fala de sinagogas, governantes e autoridades diante das quais seriam levados (v. 11). Jesus não finge que eles são fortes. Chama-os de rebanho, e rebanho precisa de pastor. A imagem lembra o Salmo 23 e os profetas que prometeram que Deus mesmo cuidaria das suas ovelhas. O que eles têm não é tamanho, é um Pai.

A frase foi do agrado do Pai é o centro de tudo. Deus não entrega o Reino de má vontade, depois de muita insistência, ou como pagamento por bom comportamento. Ele se alegra em dar. Isso muda a forma de buscar o Reino (v. 31). Não buscamos para conquistar algo que Deus relutaria em entregar; buscamos porque ele já decidiu dar e queremos viver de acordo com esse presente. Para quem cresceu achando que Deus é um patrão difícil de agradar, esta frase é um recomeço. Na última ceia, Jesus falaria de novo nesses termos, dizendo que confere um reino aos discípulos (Lc 22:29). O presente tem um preço, mas quem paga é o Filho, não o rebanho.

E o presente produz liberdade. Quem sabe que recebeu o Reino pode abrir a mão. Por isso o versículo 33 fala em vender e dar esmolas. Jesus não está criando uma regra única para todas as pessoas em todos os tempos, mas mostrando a direção: quem tem um tesouro nos céus que não falha pode ser generoso na terra. O coração segue o tesouro. Quando damos, o coração é treinado a confiar menos nos celeiros e mais no Pai.

Talvez o seu medo hoje tenha nome: emprego, saúde, família, futuro. O texto não promete que nada disso será difícil. Promete algo maior: você não está sozinho, e o Pai já decidiu ser generoso. Um passo de generosidade, mesmo pequeno, é uma forma concreta de dizer ao próprio coração que o medo não é o seu senhor. Comece pequeno, mas comece hoje.

Conexões

Para aplicar

Para o seu diário: Qual é o seu maior medo em relação ao futuro? Escreva-o e, ao lado, escreva o que significa para esse medo saber que o Pai se alegra em lhe dar o Reino.

Oração

Pai, tu te alegras em dar, e nos deste o teu Reino por meio de Jesus. Confesso que muitas vezes vivo como o rico da parábola, acumulando por medo e confiando mais nos meus celeiros do que em ti. Entrego a ti os meus medos sobre o futuro, a minha família e o meu sustento. Faz de mim alguém livre, que abre a mão para quem precisa. Coloca o meu coração no tesouro que não falha e ensina-me a viver como parte do teu pequeno rebanho. Em nome de Jesus, Amém.

Para memorizar: Lucas 12:32
Passo para hoje: Nas próximas 24 horas, faça uma doação concreta, de dinheiro, objeto ou tempo, a alguém em necessidade, como resposta ao presente que você recebeu.

Para ir mais fundo: leia Lucas 12 e conheça Reino de Deus.

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