Ele guarda o seu ir e vir
Devocional de 12 de outubro · Salmos 121:8 · 11 min de leitura
1Um Cântico de Subidas. Levantarei os meus olhos para os montes. De onde vem o meu socorro? 2O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra. 3Ele não permitirá que o seu pé vacile. Aquele que o guarda não cochilará. 4Eis que aquele que guarda Israel não cochilará nem dormirá. 5O SENHOR é o seu guarda. O SENHOR é a sua sombra à sua mão direita. 6O sol não lhe fará mal de dia, nem a lua de noite. 7O SENHOR o guardará de todo o mal. Ele guardará a sua alma. 8O SENHOR guardará a sua saída e a sua entrada, desde agora e para todo o sempre.
Contexto
O Salmo 121 faz parte dos Cânticos de Subidas (Salmos 120–134), um pequeno conjunto de salmos que, segundo a leitura mais comum, era cantado por peregrinos a caminho de Jerusalém. A cidade fica numa região montanhosa, e três vezes por ano os israelitas eram chamados a subir para as grandes festas (Dt 16:16). A viagem podia levar dias, a pé, por estradas expostas ao sol, ao cansaço e a assaltantes. É nesse cenário concreto de estrada que o salmo nasce.
O salmo começa com uma pergunta: “De onde vem o meu socorro?” Os montes podem ser lidos de dois modos: como a paisagem ameaçadora do caminho ou como os lugares altos onde se cultuavam outros deuses; os estudiosos se dividem. Seja como for, a resposta aponta para além deles: o socorro vem “do SENHOR, que fez o céu e a terra”. A partir do verso 3 a voz muda da primeira pessoa para alguém que fala ao peregrino, o que sugere provavelmente um diálogo: uma bênção para a jornada.
O que o texto diz
- v. 2: O socorro não está nos montes nem na força do peregrino, mas no Criador: “O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra.”
- v. 4: O texto contrasta o vigia humano, que pode cochilar, com “aquele que guarda Israel”, que não cochila nem dorme. O cuidado pessoal do v. 3 está ligado ao cuidado com o povo inteiro.
- v. 8: A expressão “a sua saída e a sua entrada” abrange toda a rotina, o sair e o voltar, e o cuidado se estende “desde agora e para todo o sempre”.
Reflexão
Há dias em que o medo não vem de uma grande tragédia, mas da rotina: sair de casa cedo, pegar a estrada, deixar os filhos na escola, voltar tarde, recomeçar amanhã. O Salmo 121 provavelmente era cantado assim, na estrada. Peregrinos subindo para Jerusalém olhavam os montes à frente e sabiam que o caminho tinha sol forte, pés cansados e perigos reais. A pergunta deles é a nossa: “De onde vem o meu socorro?”
A resposta não é de dentro de você, nem da paisagem. É: “O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra.” O detalhe importa: quem fez os montes é maior que os montes. E o salmo insiste numa palavra. Em hebraico, o verbo guardar (shamar) aparece seis vezes em oito versos, o mesmo verbo usado para o vigia que protege a cidade de noite. Só que todo vigia humano um dia cochila. O salmista contrasta: “Eis que aquele que guarda Israel não cochilará nem dormirá.” Você pode dormir, porque Ele não dorme.
Precisamos ler com honestidade a frase “O SENHOR o guardará de todo o mal.” Ela não é um seguro contra qualquer dor. Os próprios salmos estão cheios de gente fiel que sofreu, e o Novo Testamento mostra apóstolos presos, açoitados e mortos. O que o salmo afirma ao povo de Deus é que nada o alcança fora do olhar do Senhor, e que Ele guardará a sua alma, a vida inteira da pessoa diante d'Ele. Paulo diz algo parecido em Romanos 8: tribulação, perigo e espada existem, mas nada pode nos separar do amor de Deus em Cristo. A guarda prometida é mais profunda do que a ausência de problemas.
Para o cristão, essa guarda tem um rosto. Na noite anterior à cruz, Jesus orou ao Pai pelos discípulos, pedindo não que fossem tirados do mundo, mas que fossem guardados do mal (Jo 17:15). E disse que ninguém arrancaria as suas ovelhas da sua mão (Jo 10:28). O Pastor que não dorme é o mesmo que ficou acordado no Getsêmani enquanto os amigos dormiam (Mt 26:40).
Por isso o salmo termina no lugar mais comum: “O SENHOR guardará a sua saída e a sua entrada, desde agora e para todo o sempre.” Saída e entrada é o jeito hebraico de dizer tudo: o começo e o fim do dia, o ir e o voltar, a mudança de cidade, o primeiro dia no emprego novo, a volta do hospital. Hoje, quando você passar pela porta, não precisa carregar sozinho a tarefa de vigiar a própria vida. Faça com responsabilidade o que é seu e entregue o resto Àquele que está acordado.
Conexões
- Deuteronômio 28:6 (referência cruzada): A bênção da aliança usa o mesmo par, entrar e sair, para falar da vida inteira debaixo do cuidado de Deus.
- João 17:15 (referência cruzada): Jesus pede ao Pai que guarde os discípulos do mal sem tirá-los do mundo, o mesmo tipo de guarda do salmo.
- Romanos 8:35-39 (referência cruzada): Paulo reconhece perigos reais e afirma que nenhum deles separa o cristão do amor de Deus em Cristo.
Para aplicar
- Coração: Em que parte da sua rotina você tem vivido como se precisasse vigiar tudo sozinho?
- Relações: Quem precisa ouvir de você, esta semana, uma palavra de bênção para a jornada, como o peregrino do salmo ouviu?
- Hoje: Ao sair de casa e ao voltar, pare dez segundos na porta e ore o versículo 8 em voz baixa.
Oração
Senhor, tu fizeste o céu e a terra, e os montes que me assustam estão debaixo da tua mão. Tu não cochilas nem dormes. Confesso que muitas vezes procuro socorro em outros lugares e tento vigiar a minha vida sozinho, perdendo o sono por coisas que não controlo. Entrego a ti o meu ir e vir de hoje: a estrada, o trabalho, a casa e as pessoas que amo. Guarda a minha alma, sustenta os meus pés e ensina-me a descansar em ti. Amém.
Para memorizar: Salmos 121:8
Passo para hoje: Escolha uma porta pela qual você passa todos os dias e, nas próximas 24 horas, ore o versículo 8 cada vez que atravessá-la.
Para ir mais fundo: leia Salmos 120–125 e conheça Jerusalém.