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Bem-aventurados os pobres em espírito

Devocional de 28 de outubro · Mateus 5:3 · 12 min de leitura

1Vendo as multidões, ele subiu ao monte. Quando se assentou, seus discípulos aproximaram-se dele. 2Ele abriu a sua boca e os ensinava, dizendo: 3“Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos Céus. 4Bem-aventurados os que choram, pois eles serão consolados. 5Bem-aventurados os mansos, pois eles herdarão a terra. 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois eles serão saciados. 7Bem-aventurados os misericordiosos, pois eles alcançarão misericórdia. 8Bem-aventurados os puros de coração, pois eles verão a Deus. 9Bem-aventurados os pacificadores, pois eles serão chamados filhos de Deus. 10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos Céus. 11“Bem-aventurados vocês quando as pessoas os insultarem, os perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vocês por minha causa. 12Alegrem-se e exultem, pois grande é a sua recompensa nos céus. Pois assim perseguiram os profetas que viveram antes de vocês.
Mateus 5:1–12 · Bíblia Livre

Contexto

O Sermão do Monte, em Mateus 5–7, é o primeiro grande discurso de Jesus neste Evangelho, provavelmente no início do seu ministério na Galileia, c. 28–30 d.C. Pouco antes, multidões vindas da Galileia, de Jerusalém, da Judeia e de outras regiões o seguiam, trazendo doentes (4:23-25). Jesus sobe ao monte, se assenta, como faziam os mestres ao ensinar, e os discípulos se aproximam. Mateus costuma dizer Reino dos Céus, uma forma judaica respeitosa de falar do Reino de Deus sem repetir o nome divino.

Bem-aventurados traduz uma palavra grega que não descreve um sentimento passageiro de felicidade. É uma declaração: estes estão numa posição favorecida diante de Deus. As bem-aventuranças não são mandamentos do tipo seja pobre, mas anúncios sobre quem recebe o Reino. A primeira e a oitava terminam com a mesma promessa, deles é o Reino dos Céus (v. 3 e 10), e formam uma moldura. Nos Salmos e nos profetas, os pobres são muitas vezes os que não têm outro apoio senão Deus.

O que o texto diz

Reflexão

Poucas frases soam tão contrárias ao nosso instinto. Quase toda cultura celebra os fortes, os ricos, os autossuficientes. Jesus abre o seu grande ensino declarando felizes os pobres em espírito. Ele não está elogiando a miséria material em si, nem pedindo que a pessoa se ache sem valor. A expressão em espírito aponta para o lugar onde alguém se coloca diante de Deus: de mãos vazias, sabendo que não tem com que negociar.

Essa ideia tem raízes profundas no Antigo Testamento. Sofonias fala de um povo aflito e pobre que se refugia no nome do SENHOR (Sf 3:12). Isaías anuncia boas-novas aos humildes e aflitos (Is 61:1), texto que o próprio Jesus leu na sinagoga de Nazaré e disse estar se cumprindo (Lc 4:18-21). Ser pobre em espírito é ter chegado ao fim dos próprios recursos espirituais e reconhecer isso. É a postura de quem ora sabendo que depende de Deus até para orar.

O mais surpreendente está no tempo do verbo: deles é o Reino. O Reino dos Céus, o governo salvador de Deus que chega com Jesus, não é pago como prêmio a quem apresenta um bom currículo espiritual. É dado a quem chega de mãos vazias. Por isso a lista começa aqui: a porta de entrada do Reino não é a virtude, é a necessidade reconhecida. Jesus contou a parábola do fariseu e do cobrador de impostos exatamente sobre isso. O homem que voltou para casa justificado foi o que só conseguiu pedir misericórdia.

Para quem está longe da igreja, isso é boa notícia: você não precisa arrumar a vida antes de se aproximar de Deus. Para quem está na igreja há muito tempo, é também um alerta. O orgulho espiritual é sutil. Conhecimento bíblico, anos de serviço, uma história bonita de fé, tudo isso pode virar a riqueza em que passamos a confiar. A pobreza de espírito não é uma fase inicial que depois se supera; é a postura de toda a vida cristã.

Como isso se vive na prática? Orar começando por preciso de ti, e não por uma lista de conquistas. Aceitar ajuda. Admitir que não sabe. Parar de se comparar. E é preciso honestidade: esta bem-aventurança não promete alívio imediato. O versículo seguinte fala dos que choram, e o v. 11 fala de insultos e perseguição. O Reino chega com um Rei que também desceu, que se fez pobre e passou pela cruz. É ao lado dele que os pobres em espírito recebem tudo.

Conexões

Para aplicar

Para o seu diário: Faça duas colunas: numa, escreva as coisas em que você costuma se apoiar para se sentir bem diante de Deus; na outra, escreva o que muda se você chegar a ele de mãos vazias.

Oração

Senhor Jesus, tu és o Rei e o teu Reino é de graça. Tu te fizeste pobre para que eu fosse enriquecido pela tua vida. Confesso que muitas vezes confio em mim mesmo, no que sei, no que faço e na imagem que construí. Confesso o orgulho escondido até nas minhas boas obras. Venho a ti de mãos vazias, porque preciso de ti para tudo, até para orar. Ensina-me a viver como pobre em espírito, a aceitar ajuda e a depender de ti a cada dia. Dá-me o teu Reino. Amém.

Para memorizar: Mateus 5:3
Passo para hoje: Nas próximas 24 horas, peça ajuda a alguém numa área em que você costuma fingir que dá conta sozinho.

Para ir mais fundo: leia Mateus 5–7 e conheça As Bem-aventuranças.

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